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Foto: reprodução TV Gazeta
A lama que sobra do beneficiamento das rochas fica hoje em depósitos
791 milhões de dólares: foi a quantia que as exportações de rochas ornamentais capixabas movimentaram ano passado. É cerca de 80% do mercado nacional. Tais números mostram a relevância do setor de para a economia do Espírito Santo e de Cachoeiro de Itapemirim, que tem mais de 500 empresas atuando nesta área. E a boa relação de um setor tão representativo com o meio ambiente é fundamental.
Por isso, no quinto dia da Expedição Científica, a equipe foi saber o que mudou nos últimos 15 anos. Uma grande evolução tecnológica pôde ser notada. Um bloco que antes demorava até três dias para ser cortado, agora é serrado em algumas horas. “Eu comecei há 29 anos atrás quando ainda se carregava pedras com as mãos. Hoje, avançamos muito tecnologicamente, principalmente na questão da produtividade e da velocidade”, conta o empresário Ed Martins André.
Mas, o empresário lembra de um grande desafio que persiste: o destino dos rejeitos gerados no processo de beneficiamento das rochas. “Por que o não uso, o não aproveitamento dessa lama? Não é possível. Você pegar essa lama que sai da pedra, da natureza, e simplesmente fazer depósito. Nós vamos fazer depósitos até quando? Qual é o processo? Temos que eliminar alguns contaminantes? Vamos fazer! Hoje tem tecnologia para isso”, diz ele.
Em Cachoeiro existe uma associação que transforma os casqueiros, um dos rejeitos, em brita e base para pavimentação. “Hoje a gente dá 100% de destinação adequada a esse produto, ele é reaproveitado 100% do que chega aqui”, explica o diretor executivo da associação, Fabrício de Athayde.
Há 15 anos, a associação também usava a lama abrasiva para fazer tijolos, isso foi mostrado na primeira expedição. Mas isso não acontece mais. Atualmente, a lama colocada em grandes depósitos. A equipe foi até um dos aterros, em Cachoeiro de Itapemirim. “A lama vem para cá como destinação final, mas toda essa lama que a gente está vendo aqui, isso na verdade é matéria prima para se fazer várias outras coisas como tijolos, telhas, argamassa, até vidro. Existem experimentos agora com vidro”, afirma o biólogo Helimar Rabelo.
Para o tecnologista Leonardo Lyrio, os produtos feitos com a lama abrasiva não ganharam mercado por conta do preconceito. “O aproveitamento desse dito resíduo, do ponto de vista tecnológico, pelos ensaios que nós já fizemos, não deixa nada a desejar para um agregado que foi primeiramente concebido para isso. É ótimo o material”, diz ele.

Foto: reprodução TV Gazeta Sul
Sistema de terraceamento diminui a erosão nas plantações de café
Bom exemplo de recuperação de nascentes
Ainda no quinto dia, os expedicionários visitaram uma propriedade no interior de Castelo, que é exemplo de recuperação de nascentes. O reflorestamento começou há 19 anos, num período de seca, quando chegou a faltar água. E hoje, ela sobra. “Plantamos várias espécies nativas para aumentar o volume de água. Hoje temos volume de água suficiente para abastecer nossa produção de avicultura e casas também”, conta Antônio Veríssimo, administrador da fazenda.
É tanta água, que um córrego se formou. “Há 20 anos só descia água aqui em período de chuva, não tinha esse curso perene. E hoje além de abastecer toda fazenda, isso aqui não é utilizado, isso tudo vai descendo. É uma nascente que ajuda no rio Castelo”, afirma o biólogo Helimar Rabelo.
A propriedade tem 52 hectares, 40 deles, cobertos pela plantação de café, que usa o sistema chamado terraceamento, quando o espaçamento entre as fileiras de pés de café é maior. “Foi retirada uma carreira, onde você cria uma escada, e desacelera o processo de erosão. Esse terraceamento é fundamental, é um dos fatores preponderantes, para aumentar o fluxo de águia naquela nascente lá embaixo”, explica Justino Marquezine, agente de desenvolvimento agropecuário do Idaf.
*Com informações da TV Gazeta Sul