“Moram mais pessoas na frente, que vão beber da água que sai desses esgoto. Mas se nós que moramos não cuidamos, quem vai cuidar?”, questiona a aposentada Leontina de Assis Rocha, moradora da cidade. Uma obra de saneamento começou a ser feita em 2005 com a promessa de tratar apenas 30% do esgoto da cidade, mas ela está parada. E ainda deve vai demorar mais um ano para ser concluída.
“Nós temos um convênio ainda do PAC 1 (Programa de Aceleração do Crescimento, do Governo Federal) sendo executado e nos últimos anos ele foi paralisado diversas vezes para ajustes no projeto. A estação de tratamento de esgoto está pronta, as ligações estão praticamente cem por cento prontas, e hoje a gente está dependendo de concluir a elevatória que vai mandar o esgoto das ligações para a estação de tratamento. A nossa expectativa é dentro de um ano colocar a estação de tratamento de esgoto para funcionar, afirma o secretário de Meio Ambiente, Rodrigo Vargas.
Ainda de acordo com a Prefeitura de Alegre, o tratamento total do esgoto da cidade faz parte do Plano Municipal de Saneamento Básico, que tem ações de curto, médio e longo prazo. Mas, não informou quando esse plano será totalmente implantado.
Já a Casa de Caridade São José de Alegre informou que todo resíduo hospitalar é armazenado em local adequado e recolhido por uma empresa especializada, e que nenhum material prejudicial à saúde humana ou de animais é lançado no rio.
Flagrante de crime ambiental

Foto: TV Gazeta Sul
Polícia Militar Ambiental flagra curral feito de forma irregular
Já no interior de Alegre, um curral construído perto demais de um córrego chamou a atenção. Os policiais militares ambientais fizeram as medições necessárias e constataram a irregularidade.
“O empreendimento está dentro da área de APP (Área de Preservação Permanente), que consta oito metros do leito do rio, e vai ser feito um boletim de ocorrência criminal e encaminhado a autoridade competente”, disse o cabo Rodolfo, da Polícia Militar Ambiental.
No lugar de peixes, vergalhões
Seguindo o caminho, a próxima parada é no ponto onde se juntam o Rio Braço Norte Esquerdo e o Rio Braço Norte Direito, para formar o Rio Norte. “Eu acho que o maior impacto foi na redução das calhas desse rio, da vazão desses dois braços, em alguns pontos. Esse impacto que a própria hidrelétrica causou na questão da piracema de algumas espécies que não conseguem ultrapassar essa barreira física. E a própria comunidade saiu perdendo porque nesses trechos que foram estreitados, hoje, de 100%, correm só 20% (do volume de água). Houve um impacto muito grande na questão da pesca, lembra Dalva Ringuier, cientista social e ambientalista.
Os pesquisadores fizeram uma tentativa de coletar espécies para análise, no Rio Norte. Mas rede lançada voltou vazia. E o professor do Instituto Federal do Espírito Santo, Bruno Preto, acabou se ferindo numa ponta de vergalhão que estava dentro do rio.
” Há muito material de construção jogado no rio, muitos vergalhões. É super perigoso isso, questão de tétano também. Tem muito lixo, esse é o problema. A gente entra para fazer a pesquisa, tem que tomar cuidado com as questões naturais, mas o mais perigoso acabam sendo os problemas humanos mesmo”, disse ele.
O gerente de meio ambiente da Pequena Central Hidrelétrica de São Simão, Irineu Cortez, disse que existe uma série de programas para reduzir ou compensar os impactos das intervenções realizadas no Rio Norte, como o monitoramento dos peixes e da qualidade da água, a preservação da mata ciliar e recuperação de nascentes, entre outras ações.
Degradação do solo

Foto: reprodução TV Gazeta Sul
Áreas de pastagem de Jerônimo Monteiro apresentam estado avançado da erosão
É possível que regiões antes cobertas de vegetação se transformem em deserto? A resposta pode ser vista em algumas áreas do Sul do Espírito Santo, inclusive no interior de Jerônimo Monteiro. Na comunidade de Andorinhas vários morros estão com erosão em estágio avançado. O manejo inadequado das pastagens suga excessivamente os nutriente da terra, que acaba seca demais para produzir. Outro problema é ter mais animais do que a área pode suportar.
“Isso aqui é um exemplo bem típico de excesso de pisoteio de animais, de falta de manejo da pastagem, onde se vê claramente que a preocupação maior é se ter o maior número maior de animais possível, sem cuidado nenhum com a pastagem”, disse o engenheiro florestal e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Nilton César Fiedler.
O ideal é que animal de 450 quilos ocupe um hectare de pastagem. Mas, em muitas propriedade, ainda são encontrados até seis por hectare. Mesmo assim, para o técnico do Instituto Estadual de Agropecuária e Defesa Florestal (Idaf), Felipe Barbosa, os produtores hoje estão mais cuidadosos para conseguir continuar com as criações. “Agora o produtor está tendo consciência que se ele não adubar o solo, não fizer o manejo do pasto, ele vai ficar sem nada”, alerta ele.
Permanecendo no campo

Foto: reprodução TV Gazeta Sul
Agroindústrias produzem alimentos livres de agrotóxicos no interior de Alegre
A equipe também passou pela comunidade de Feliz Lembrança, no município de Alegre, neste quarto dia. E encontrou um exemplo de incentivo aos jovens para que permaneçam no campo. Antes, faltava trabalho no campo, terra para produzir, e a maioria pensava em ir para a cidade.
“Hoje, quem está na cidade quer voltar. Estamos fazendo o contrário, um êxodo urbano”, disse o produtor rural Fábio de Souza Silva. Essa transformação começou com a instalação de uma sala de informática e a chegada da internet na comunidade. Com conhecimento, tecnologia e muita força de vontade, foi possível diversificar a agricultura e criar quatro agroindústrias. Tudo produzido sem agrotóxico. Negócio que movimentou ano passado, em 10 meses, 1 milhão e meio de reais.
” Todos os jovens agora tem um sonho de com a propriedade produzir o máximo possível, o mais justo possível, sem veneno porque são pessoas que vão consumir aquilo. E podemos desenvolver o nosso sonho aqui na roça mesmo, na nossa comunidade”, conta Paulo Gonçalves Azevedo, presidente da Associação de Moradores de Feliz Lembrança.
*Com informações da TV Gazeta Sul