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Foto: Reprodução TV Gazeta Sul
Propriedade diminuiu em 50% o uso de agrotóxico e produtor só viu resultados positivos
O segundo dia da Expedição Científica do Rio Itapemirim começou no interior de Muniz Freire, com a visita à propriedade do agricultor Juliano Paulúcio. São 110 hectares de lavoura de café e uma busca constante por reduzir a quantidade de agrotóxico usada no cultivo dos grãos. “Eu acredito que a gente conseguiu mudar em torno de 50%. E a gente foi vendo na prática a melhora da lavoura porque com agrotóxico demais era muita doença, parece que abre a porta para as pragas chegarem”, conta.
O uso excessivo de agrotóxicos nas plantações, inclusive sem proteção adequada para os agricultores durante a aplicação, foi denunciado há 15 anos nas primeiras expedições. Na época, em Muniz Freire, cerca de 60% dos produtores conheciam alguém que havia ficado doente por causa do uso de agrotóxicos. Prejuízo para a saúde de quem manuseava os produtos e também para quem consumia os alimentos.
Outra preocupação na propriedade é manter a distância necessária das nascentes, afim de protegê-las. Além da mudança no destino dos resíduos da lavagem do café, que veio com uma nova legislação. Esses resíduos não podem mais ir para os rios, eles ficam retidos em tanques dimensionados dentro das normas. “A chance de contaminação do lençol freático é desprezada aqui, a gente avalia a propriedade como um modelo nesse processo de transição no campo tecnológico que pra ele não vai ter volta mais, é daqui sempre buscando melhora’, afirma o agente em desenvolvimento agropecuário do Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema), Justino Marquezine.
Produzindo com consciência
Com um grande sorriso estampado no rosto e frutos fresquinhos, sem nenhum agrotóxico, foi que o produtor rural Juarez Ferreira da Silva recebeu a equipe na propriedade que fica em Irupi. Ele é mais um exemplo de que é possível produzir pensando no meio ambiente e na saúde dos consumidores daqueles alimentos.
Ele planta milho, feijão e morangos. “Eu acho que eu tenho que ter consciência do produto que eu vou oferecer para o meu próximo. A produção pode até ser menor, mas eu coloco a cabeça no travesseiro e durmo sossegado, porque não tem agrotóxico não”, diz.
Projetos para tratar esgoto no Caparaó
Outra parada no segundo dia de expedição foi na cidade de Iúna, cortada pelo Rio Pardo, que recebe o esgoto sem tratamento. Atualmente, o leito do rio é estreito e a água turva. O professor do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) e pesquisador Bruno Preto, explica que isso traz um grande prejuízo para a vida de animais. “Essa turbidez elevada são partículas em suspensão na água que podem causar obstrução das brânquias dos peixes e camarões”, disse.
Uma estação de tratamento está sendo construída na cidade e a promessa é que até o fim de 2019 todo o esgoto urbano de Iúna seja tratado, antes de voltar para o rio. Essa é a mesma expectativa da cidade vizinha, Irupi. Lá, é o Rio Pardinho que ainda sofre com lançamento dos resíduos sem tratamento. “Pela descrição do plano municipal de saneamento básico o prazo definido é o final de 2019. É esse o norte que a gente está perseguindo”, disse o engenheiro da Prefeitura de Irupi, Laurismar Miguel da Silva.

Foto: reprodução TV Gazeta Sul
O voluntário Fábio Ferreira de Paula fundou o projeto “Amigos do Verde” há 15 anos, em Iúna
Reflorestamento às margens do Rio Pardo
“Há 15 nos, aqui tinha lixo, cavalos, mosquito. E com a vinda do projeto, olha o tanto que melhorou, o tanto que a gente valorizou o espaço, que é um espaço que a gente tem que preservar”, conta Fábio Ferreira de Paula, criador do projeto “Amigos do Verde”.
O projeto dá um belo exemplo de recuperação e cuidado com o meio ambiente. Uma área pública de pouco mais de um hectare, às margens do Rio Parto, em Iúna, está sendo reflorestada. Mais de três mil árvores foram plantadas.
Os expedicionários deram sua contribuição para o projeto, plantando a primeira muda da espécie braúna. “Ela vai crescer, vai dar muita sombra e vai deixar muitas sementes para reflorestar muitas áreas”, disse a cientista social e ambientalista Dalva Ringuier.
*Com informações da TV Gazeta Sul