“Agora estamos famosos”. Com muito bom humor, é assim que João Baptista Martins, de 84 anos, fala dele mesmo e do projeto ganhador do Troféu Biguá em 2018, na categoria produtor rural. Depois da premiação, João foi muito procurado por outros proprietários que querem reproduzir o trabalho dele.
“São várias pessoas, várias instituições, estudantes que estão vindo aqui. Produtores estão pedindo e querem tirar uma área de preservação. Para mim, o Prêmio Biguá representou muito. Além de gratificar por tudo que a gente fez, mas sobretudo em divulgar aquilo que a gente acredita”, conta.
A história começou com o pai de João. Há quase 90 anos ele deu início a recuperação de uma área totalmente degradada no interior de Rio Novo do Sul. Essa área se transformou numa mata com cerca de cinco hectares e foi batizada de “Bosque que fala”.
Várias árvores ganharam nomes, homenagens prestadas pelo produtor à pessoas e entidades. Uma dessas arvores é uma figueira com 60 anos de idade e mais de 35 metros de altura, que passou a se chamar “Prêmio Biguá”. Outro homenageado é um programa semanal da TV Gazeta, com notícias do meio rural capixaba. A árvore “Jornal do Campo” também faz parte do bosque.
O próximo passo é o lançamento de um livro sobre o projeto. “Essa floresta tem uma história. Cada árvore que eu destinei a um parceiro tem a história daquele parceiro”, diz ele. No livro, que já está em fase de finalização numa editora, ele conta cada uma dessas histórias. O lançamento está marcado para o mês de junho, em Rio Novo do Sul, na data do aniversário de 85 anos do autor.