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Degradação no Sul do Estado preocupa especialistas

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“O braço que alteia o machado ha de se cansar do trabalho árduo de tirar da terra cansada e seca o pão de cada dia. O homem  que faz o deserto terá que refazer a floresta”. Este trecho faz parte de um crônica do escritor Rubem Braga divulgada em um jornal de Cachoeiro de Itapemirim em julho de 1930. Aos 17 anos o cronista cachoeirense já mostrava a sua preocupação com a degradação, que é o processo pelo qual o solo vai se esgotando (perdendo nutrientes).

A degradação do solo pode ser causada por fatores naturais ou por ações humanas inadequadas. Ela pode acarretar a desertificação e ainda impossibilitar práticas agrícolas. “A degradação começa desde o inicio da ocupação do solo de maneira geral. Tem a questão de desmatamento que foi feito indiscriminadamente. Tem a questão de não aplicação de práticas conservacionistas, quando o produtor desmatou e não se preocupou em conservar”, relata o engenheiro Agrônomo José Arnaldo Alencar.

De acordo com os últimos dados divulgados pelo Centro de Desenvolvimento o Agronegócio (Cedagro), o Sul do Estado possui cerca de 17% de áreas agrícolas degradadas na Bacia do Rio Itapemirim. O engenheiro agrônomo Gustavo Soares explica que esses dados são de 2012, mas a situação se agravou com a seca dos últimos anos. “Depois disso aconteceu um período de seca muito acentuado durante cerca de três anos . E a gente acredita que essa seca contribuiu para aumentar o processo de degradação”, disse.

Uma das alternativas para recuperar o solo, segundo ele, é fazer a reposição de nutrientes. “A curva de nível é uma prática conservacionista, uma prática mecânica que faz em áreas de morro. O objetivo é diminuir a velocidade da erosão. E com isso você favorece o processo de infiltração da água que vai para os lençóis freáticos e vai ficar disponível para as plantas. A mata em topo de morros também é uma solução para diminuir o processo erosivo”, completou o engenheiro.

Soares ainda disse que a recuperação do solo pode custar até R$ 5 mil por hectare. “A recuperação pode custar de de R$ 1 mil a R$ 5 mil por hectare. A maioria dos produtores não tem condição de fazer esse investimento, principalmente após o período de uma grave seca. Os produtores estão descapitalizados e isso impacta diretamente na economia familiar. Mas acaba sendo necessário. Muitos produtores dependem do poder público em parceria para fazer essas ações de conservação do solo”, disse.

Preocupado com as questões ambientais, o produtor rural José Antônio Lopes realiza, há pouco mais de um ano, práticas de recuperação do solo em sua propriedade na comunidade do Frade em Itapemirim, no Litoral Sul. E já viu resultados positivos.

“Há uns cinco anos a seca foi muito terrível e qualquer chuvinha que batia carregava tudo. Ai mesmo com a seca, depois quer fizemos as curvas de nível o capim foi se acertando no lugar e mantendo verde. O resultado eu vi logo de imediato porque a água ficava dentro das canaletas e nas caixas secas. Outra coisa importante é que uma nascente que eu tinha lá encima quase secou e depois disso daí a água voltou naturalmente”, disse.

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