Manter uma propriedade rural ecologicamente sustentável em todos os seus processos produtivos. Este é o desafio que o argentino Julio Dueñas se propôs quando adquiriu um sítio de 12 alqueires em Venda Nova do Imigrante no início dos anos 90. Área estava parcialmente degradada, com cafezais antigos e sem recursos hídricos.
A propriedade hoje conta com uma floresta de quatro alqueires, tem água em abundância, produz parte da energia elétrica que consome, pratica a agricultura orgânica e reaproveita todos os rejeitos da fábrica de massa de pizza e do pequeno restaurante que funcionam no local. “Aqui não desperdiçamos nada, tudo é reaproveitado, fechamos o ciclo”, conta Fabrício Brambila, presidente do Centro de Desenvolvimento Sustentável Guaçu-Virá, uma ONG que cuida do setor turístico e agrícola da propriedade.
O CDS Guaçu-Virá foi criado em 1993, surgindo da Associação Amigos da Terra, uma entidade da sociedade civil sem fins lucrativos. Foi oficialmente constituído em 1996, com objetivo de promover o desenvolvimento econômico-social e a melhoria de qualidade de vida e do meio ambiente local, em consonância com os postulados da Agenda 21.
Para se ter uma ideia do sucesso do empreendimento, em 2016 o sítio recebeu 3.500 visitantes, em sua maioria estudantes, professores e acadêmicos. No local, é possível caminhar por trilhas florestais, beber água diretamente da nascente, e conhecer todo o processo de geração de energia e calor (para aquecimento da água) e de reaproveitamento dos rejeitos para produção de adubo, húmus e ração para os animais.
Uma das práticas da propriedade, a horta vertical, já foi premiada cinco vezes em concursos de ecologia. Nesse tipo de horta, o plantio é sobreposto, facilitando o manejo e diminuindo o tamanho da área utilizada para o plantio. “É ideal para quem quer cultivar em casa ou em apartamento” – ensina Brambila. Outra iniciativa que chama atenção é a produção de repelente de insetos a partir do chorume gerado pelas sobras de vegetais.
Brambila ressalta que a ONG desempenha na região um papel de laboratório de práticas de sustentabilidade, atuando com iniciativas que envolvem programas de educação ambiental e a valorização das habilidades da comunidade local. Promove ainda capacitação profissional em várias áreas, encontros de lideranças comunitárias e eventos sociais. O projeto se tornou referência nacional e internacional destacando-se como Polo de Educação Ambiental e Difusão de Práticas Sustentáveis. Em 2012 foi um dos ganhadores do “Troféu Biguá”, oferecido pela Rede Gazeta, numa promoção da TV Gazeta Sul.