Menu Principal

Siga nossas redes sociais:

Agricultor faz a diferença em Burarama

Shares
Read Carefully

Carlos Tatagiba já foi até chamado de “doido” por suas ações em prol do meio ambiente

No início ele foi tachado de apenas um “doido” que desperdiçava terras e dinheiro, outros o consideravam um abnegado pela preservação do solo e das matas que circundam suas duas pequenas propriedades, uma em Cachoeiro e outra no Alegre. O fato é que, há mais de duas décadas, o agricultor Carlos Tatagiba Martins, 51 anos, iniciou um trabalho pioneiro com técnicas e práticas agrícolas que, se no início soavam estranhas, hoje são difundidas e até incentivadas pelos órgãos ambientais para preservação dos mananciais da região.

Ganhador do Prêmio Biguá em 2015, Martins, já em 1995, deu os primeiros passos no caminho da sustentabilidade no cultivo de suas terras, onde predomina a atividade cafeeira. Começou com o reflorestamento de eucalipto em áreas degradadas, quando o plantio dessa espécie florestal ainda era demonizado pelos ambientalistas mais radicais. Em 2005, iniciou a construção de 62 caixas secas nos carreadores de suas propriedades, uma técnica ainda insipiente que gerava desconfiança dos agricultores mais tradicionais.

Hoje Martins colhe os frutos de sua iniciativa. Suas terras não conhecem a erosão provocada pelas enxurradas e tampouco falta humidade no solo de seu cafezal. “Com as caixas-secas, a água infiltra e fica retida no solo; e a terra que elas recebem, provenientes da chuva, volta para os carreadores quando fazemos a limpeza das caixas” – ensina.

Esse trabalho tem um custo que pode chegar a R$1.200,00 por ano em aluguel de máquina. Essa despesa, segundo conta, é a responsável pelo fato de muitos agricultores ainda resistirem no emprego da tecnologia das caixas-secas. “Temos que ver essa despesa como investimento, afinal, quanto vale uma propriedade degradada, erodida, e quanto vale uma terra preservada?” – sugere.

No seu cafezal, Martins também adotou a prática de plantar espécies frutíferas para manter o ecossistema local. Num pequeno passeio entre os pés de café, plantados em curva de nível, pode-se observar abacateiros, mexeriqueiras, bananeiras, mamoeiros, beribazeiros, mangueiras, ingazeiros e açaí. Estas frutas alimentam quatis, tatus, jacus e outros animais comuns na região. O senão fica por conta dos cães e dos caçadores que ameaçam a fauna local. “Quando aparece um animal, como a paca, por exemplo, logo é perseguida pelos cães, é uma pena” – desabafa.

Várzea protegida

Martins também vem pelejando desde 2009 com a recuperação de uma área de várzea no Sitio Jacutinga, próxima a suas terras em Burarama. Apesar da pouca distância, o sítio fica no município de Alegre, que faz divisa na região com Cachoeiro e Jerônimo Monteiro. No local, já recompôs a mata ciliar e vem reinserindo na área alagada espécies como a taboa, o agrião do mato, a cebolinha do brejo, contas de lágrimas e chapéu-de-couro, entre outras. Ali, ele também já recuperou uma nascente, assim como fez em Burarama, na propriedade homônima.

O próximo passo do agricultor, que já ganhou dois prêmios do Conselho de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Federação de Agricultura do Espírito Santo (FAES), é realizar o sonho de reintroduzir nas matas locais a Jacutinga, ave que já foi comum na região e que empresta o nome aos seus sítios. “Um dia, quem sabe, já fiz tantas coisas que pareciam impossíveis…”

Publicidade
Top