O que não pode faltar na mesa do idoso?

Carne e fibras são essenciais para manter a saúde em dia. Confira outras dicas de especialistas

Recentemente, uma reportagem revelou que o ministro mais antigo do Supremo Tribunal Federal, Celso de Mello, que tem 72 anos, mantém uma dieta resumida a café e fast food. Certamente, ele é um caso à parte, pois vive muito longe do estilo de vida ideal para um idoso.

Essa alimentação, no mínimo peculiar do ministro, é o oposto do que recomendam dez entre dez especialistas. “Casos assim são exceção. Ele deve ter uma genética muito boa”, brinca a nutricionista da Medsênior Romila Tonies Mutz.

À medida que envelhecemos, diz ela, mais cuidados ainda devemos ter com o que comemos. “Muitas doenças vão chegando com a idade. Se a pessoa não tiver um estilo de vida saudável vai adoecer mais ainda. Quem se alimenta muito de fast food provavelmente terá muitas carências nutricionais. Sem falar que quem for obeso vai engordar ainda mais com esse tipo de comida”, comenta Romila.

É comum, segundo a nutricionista, que o idoso vá perdendo a sensibilidade para alguns alimentos, e aí, o apetite tende a cair também. “Costumo ouvir muitas queixas de pacientes que dizem que não sentem mais tanto o gosto do sal, do açúcar… Acham a comida sem sabor. Vão comendo cada vez menos, ingerindo menos nutrientes”, aponta ela.

A questão é bem complexa, como destaca o geriatra da Medsênior Roni Chaim Mukamal. “Vários fatores podem levar o idoso a problemas de apetite. Tem as questões inerentes ao próprio envelhecimento e as doenças que a pessoa traz. Tem as questões emocionais, como a depressão, que tiram a vontade de comer. Sem falar nas  causas sociais, quando o idoso mora sozinho, perde o hábito de se sentar à mesa, passa a pular refeições ou a fazer refeições de baixo valor nutritivo”, descreve o médico.

Até mesmo as medicações que o idoso toma podem interferir no apetite dele, segundo o geriatra. “Isso acontece porque alguns remédios podem deixar a boca seca, gerando uma dificuldade na hora de engolir. Outros mudam o sabor da comida, tornando-o metálico, por exemplo”.

Até algo que parece simples de resolver, como uma dentadura mal adaptada, pode prejudicar a alimentação. “Muitos não comem porque as condições dentárias não permitem: uma dentadura que está mais solta já pode influenciar nessa dificuldade na hora de se alimentar”, cita Mukamal.

Não são poucos os idosos que comem mal, que trocam um bom prato de feijão com arroz por pães, bolos, macarrão instantâneo. “São alimentos bem vazios, fáceis de fazer e que não têm poder nutritivo adequado ao que a pessoa mais velha precisa”, observa o geriatra.

Aos 63 anos, Ângela Maria Moreira não abre mão de uma alimentação balanceada (Divulgação)
Carne

E as necessidades de quem passou dos 60 são diferentes das de um adulto. De acordo com Mukamal, os idosos precisam de uma quantidade maior de proteína. “Eles têm uma perda metabólica e muscular acelerada, precisam de aporte proteico aumentado. E as proteínas animais são as melhores fontes”.

Por isso, a carne, especialmente a vermelha, está na lista de alimentos que nunca devem ficar de fora do prato do idoso.

É comum ouvirmos idosos que não gostam mais de carne ou não conseguem comer. Uns têm dificuldade para mastigar, mas muitos não comem porque enjoaram. Até toleram frango ou peixe, mas rejeitam a carne vermelha, que é uma rica fonte de ferro e deveria ser consumida ao menos duas vezes por semana. Sem ela, acabam tendo uma carência nutricional que pode levar à anemia”, diz a nutricionista.

Uma forma de aumentar o consumo de carne é incluir esse alimento em outras preparações. “Pode fazer uma sopa com carne moída, uma torta com carne e verduras, uma polenta recheada…”, sugere Romila.

Ela lembra que há outras fontes de ferro, como os vegetais de cor verde escura, que devem fazer parte da dieta do idoso. “Esses vegetais potencializam a quantidade de ferro a ser absorvida. É importante associar o consumo deles com a vitamina C, que ajuda o organismo absorver melhor essa substância. Pode ser tomando junto com suco de laranja ou espremendo um limão na salada”, indica Romila.

A própria salada merece destaque na alimentação dos idosos. Mas muitos acabam dispensando essa parte. “Vegetais, folhagens, hortaliças contêm bastante fibra, importante para o intestino, que costuma ficar mais parado com o envelhecimento”, afirma Roni Mukamal.

A fibra, acrescenta a nutricionista, também pode ser encontrada em alimentos integrais, na aveia, na linhaça, na chia, no bagaço da laranja. “Além de ajudar no funcionamento do intestino, a fibra é importante para o controle do colesterol, dos triglicerídeos, do diabetes. E para tirar melhor proveito das fibras, o recomendável é consumir junto com água”, orienta a nutricionista da Medsênior.

Hábitos

Nunca é tarde para mudar os hábitos alimentares. E não há pílula milagrosa ou dieta da moda que ajude quem está em busca de saúde. “O equilíbrio é o maior segredo. Dietas muito restritivas são perigosas para os idosos”, alerta o geriatra.

Quanto mais variada a alimentação, mais nutrientes a pessoa estará consumindo”, completa Romila.

Bom seria se todos se cuidassem como a  gerente de loja Ângela Maria Moreira. Aos 63 anos, ela afirma que a alimentação saudável tem a mantido longe das doenças. “Sempre procurei comer o mais saudável possível. Sou muito vaidosa, procuro manter meu peso. Desde novinha, sempre fui moderada. Não tenho problemas nenhum de saúde. Durmo super bem. Não fumo, não bebo. Só tomo um vinho em ocasiões especiais”, conta ela.

O máximo que teve que fazer foi reduzir alguns alimentos por causa de uma taxa mais alta de colesterol, que já foi controlada. “Por um bom período, cortei açúcar, pão branco. Aderi a uma alimentação mais integral”, diz Ângela.

SAIBA
  • Ponha carne no prato

Idosos precisam de uma maior quantidade de proteína. Por isso, é importante incluir a carnes na rotina (frango, peixe…), além de ovos e derivados do leite. A carne vermelha, em especial, ainda é rica em ferro, ideal para combater a anemia. Vale preparar com sopas, caldos, na torta de legumes. Consuma a carne da forma mais saudável possível, sem gorduras. Para potencializar a absorção do ferro, a dica é associar com uma fonte de vitamina C: pode ser um suco de laranja, vale espremer umas gotas de limão na salada

  • Coma salada

Aumente o consumo de folhas, principalmente as de cor verde escura, que são outra fonte importante de ferro. Vegetais e hortaliças contêm fibra, fundamental para o bom funcionamento do intestino

  • Mais fibra

As fibras, aliás, são essenciais para a dieta do idoso. Além de folhas e vegetais, coma mais alimentos integrais, aveia, chia, linhaça. A dica é consumir juntamente com água, para melhorar a absorção dessas fibras no organismo

  • Varie mais

A alimentação do idoso precisa ser bem equilibrada e variada. Evite dietas restritivas demais, exceto se há indicação médica para isso. Quanto mais colorido e variado o prato, mais nutritivo ele é

  • Falta apetite?

Se o idoso anda sem vontade de comer, vale procurar um especialista para investigar as causas. O problema pode ser efeito colateral de algum medicamento. Muitos remédios podem deixar a boca seca, dificultando na hora de engolir o alimento. Outros mudam o sabor da comida, tornando-a metálica, por exemplo

  • Falta ânimo para tudo?

A razão da falta de apetite pode ser uma questão emocional. A depressão, por exemplo, pode reduzir a vontade de comer. Um médico pode fazer do diagnóstico e orientar o melhor tratamento

  • Cuidado com as trocas

Não é recomendado ficar muitas horas sem comer. Além do café da manhã, do almoço e da janta, a dica é intercalar as refeições com pequenos lanches. Fruta não substitui refeição

  • Cuidado com os suplementos

Os suplementos alimentares devem ser prescritos por um especialista. Não tome por conta própria, seguindo dica de vizinho ou de parente. Esse suplemento pode ter uma carga de nutriente que pode ser prejudicial, por exemplo, para quem tem problema renal

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