A superdosagem de medicamentos, que inclui a automedicação, é um problema grave e considerado um transtorno de saúde pública. É uma causa comum de internação que possui muitos desfechos negativos na população idosa.
O médico geriatra, Roni Chaim Mukamal, diretor da MedSênior, conta que os idosos geralmente tomam mais medicamentos que os outros grupos por estarem mais propensos à doenças e isso faz com que os mesmos vão a muitos médicos e, consequentemente tomem vários remédios. “É um ciclo: os idosos vão aos médicos, que receitam muitos medicamentos, que faz com que o paciente acabe tomando uma quantidade excessiva deles”, explica.
Dr. Roni salienta, contudo, a importância de tomar um medicamento prescrito por um profissional e de nunca mexer nas doses do remédio. Além, é claro, de nunca tomar um remédio por conta própria, sendo este um dos principais responsáveis da superdosagem. “Toda e qualquer medicação, mesmo as compradas sem receita, possui algum efeito colateral que, em alguns casos, podem ser danosos à população idosa. Tem que ter cautela na hora de se medicar”, alerta.
A aposentada Cirene Coutinho Gomes, de 78 anos, conhece bem os riscos da superdosagem de remédios, por isso só toma as medicações indicadas pelo seu médico. Há dez anos ela toma um medicamento para o coração e, em breve, passará a tomar outro para o fígado, além de outros que já fazem parte de sua rotina há anos. Ela conta que nunca passou mal por causa da quantidade de remédios que ingere. “Sigo fielmente o que meu médico prescreve na receita, afinal, são esses medicamentos que me sustentam. Sem eles, eu viveria passando mal”, explica.
Para os idosos que tomam muitos remédios, devido a vários problemas de saúde, é importante ter um médico que faça o papel de gerenciador desse paciente. “Geralmente quem faz isso é o geriatra, que vai ver se aqueles remédios estão interagindo uns com os outros”, explica Roni. Em algumas situações, um remédio pode mudar a absorção de um outro e acabar por não fazer o efeito esperado. “Por isso é importante ter alguém que entenda esse paciente de um ponto de vista global pra fazer a orientação medicamentosa correta”, completa o médico.
CUIDADOS PARA EVITAR A SUPERDOSAGEM
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA alerta para os riscos da superdosagem de medicamentos e sugere ao paciente sempre conferir a dose do remédio antes de tomá-lo, especialmente os que são líquidos ou em gotas. E nunca substituir os copinhos ou as colheres-medida que vêm na embalagem por outras. O mesmo cuidado deve ser tomado com o uso do conta-gotas.
Em caso de superdose de qualquer medicamento, o idoso deve dirigir-se imediatamente a um hospital ou posto médico. De preferência, o paciente deve levar consigo a caixa do remédio, para que o médico saiba como fazer a desintoxicação. A bula do medicamento também ensina como se deve agir em casos de superdosagem. Guardar a bula é de grande valia, pois ela pode ser necessária nesses casos.