Episódio 10
Música para alegrar a alma


Era de se esperar que após viver boa parte da infância dentro de hospitais, a pequena Samila nunca mais quisesse voltar para dentro de uma unidade de saúde. O mundo está todo aí para ela aproveitar, mas o coração inquieto e generoso fez com que ela retornasse cheia de disposição para ajudar os que precisam de cuidados e atenção no Hospital Evangélico de Vila Velha. Com muita fé e determinação, ao lado da irmã Sâmela, ela ora e canta nos corredores e quartos do Hospital trazendo esperança para os enfermos.

O projeto voluntário da família Fabre está de pé há seis meses no Hospital Evangélico. Religiosa, toda a família – pai, mãe e as duas filhas – se mobiliza para cantar e acolher as pessoas que estão em tratamento. “Foi um trabalho em família, já que meu pai fez todo o relacionamento entre o pastor da nossa igreja e o hospital. Por meio da oração, a gente sabe que traz uma coisa que acalma e alegra. É uma lição de vida e o sentimento é muito bom de estar ajudando e trazendo paz para as pessoas”, explica a jovem Sâmela Fabre, de 17 anos.

A irmã Samila Fabre é um exemplo de superação e dedicação ao próximo e por isso abrimos o texto falando dela. Ela conta que viveu em hospitais até completar 10 anos, e realizou uma ou duas cirurgias por ano até essa idade. “Eu passei muito tempo nos hospitais para me recuperar das cirurgias que fiz devido à necessidade especial com a qual nasci. Agora, tento aplicar o dom que Deus me deu para ajudar as pessoas daqui”, comenta ela.

As duas irmãs contam que todas as quintas-feiras se juntam no Hospital a partir das 17h. O trabalho voluntário começa nos corredores com música e alcança até os dormitórios do quarto andar, onde há também oração. “A gente entende que a letra do louvor que a gente canta provoca uma paz interior para aqueles que a ouvem. E a oração toca no coração das pessoas também trazendo paz”, acrescenta Samila.

Quem comemora o sucesso da ação semanal das irmãs é o Arildo Almeida de Oliveira, capelão do hospital. Ele revela que os pacientes ficam ansiosos e, vejam só, chegam a cobrar a presença das duas pelos corredores. “Tão logo elas terminam o trabalho e se ausentam, nós vamos fazer as visitas e ouvimos dos pacientes relatos de alegria espontânea e esperança, ainda mais quando eles enxergam pessoas jovens iguais a elas. O trabalho delas faz muita diferença para todos aqui”, conclui.

Resta para a gente admirar a dedicação da família Fabre e vamos torcer para que o violão e o teclado estejam sempre presentes no Hospital Evangélico, acalmando e levando paz para os pacientes que precisam de companhia.

Episódio 09

Cavalos da Polícia Militar dão esperança e alegria a crianças

Os cachorros podem até ocupar o posto de melhor amigo do homem, mas certamente os cavalos tem um lugar guardado em nossos corações. Bem cuidada e muito bem treinada, a cavalaria da Polícia Militar, que foi muito usada pelo Regimento da Polícia Montada (RPMont) como meio de transporte, ajuda há mais de 10 anos na terapia motora, psicológica e social de jovens e crianças. Mas e você sabe o que é equoterapia?

Como o próprio nome sugere, a equoterapia é um acompanhamento realizado com o apoio de equinos, que ajudam a desenvolver as habilidades de cada praticante, respeitando as limitações, mas sempre visando a auto aceitação, integração social, além da melhora dos sentidos e da força. Achou interessante? A Polícia Militar do Espírito Santo oferece sessões gratuitas todos os dias da semana e o acesso é muito fácil: é só ligar e agendar com um dos voluntários.

E olha, o trabalho é pioneiro no Espírito Santo. “Quando iniciamos não existia essa terapia aqui no Estado. Hoje só existem dois lugares gratuitos, sendo um deles aqui. Ainda são poucas vagas”, lamenta o sargento Alberto Pereira da Silva, uma das pessoas à frente do projeto. Ele revela que a terapia com os cavalos é muito ampla e trabalha muitos fatores. “Antes era vista como uma terapia para pessoa com deficiência, mas já percebemos resultados e ampliamos para atender até pessoas que precisam de reforço escolar”, comenta.

Uma das mais felizes com o projeto é a Marlene Dias Costa, mãe do pequeno João Vitor. “Hoje não preciso escorar o meu filho porque com a terapia ele já consegue ficar sentado certinho no banco. Percebo que ele fica ansioso para subir no cavalo. Está sendo muito bom e todos enxergam a alegria dele em estar aqui”, comemora.

A equoterapia funciona por meio dos estímulos transmitidos do cavalo para o praticante. “O andar do cavalo é muito semelhante ao movimento do ser humano andar”, avalia o sargento Pereira. É assim, portanto, que acontece a melhora da tonificação muscular, permitindo o controle postural. Além disso, ocorre também a melhora da coordenação dos movimentos graças à condução do animal, já que são explorados o uso das mãos, braços, cintura e olhos.

“A gente leva em média dois anos com o trabalho de terapia. Nesse período, acontece uma grande troca entre os voluntários e o praticante. Desenvolvemos uma relação de amizade e aprendemos muito com eles. Do mesmo jeito que a gente faz parte da família terapia deles, eles fazem parte da nossa família policial”, diz o sargento.

Segundo o militar, o trabalho só é possível porque a Instituição tem toda uma estrutura voltada para atender essas crianças e jovens. O que foi iniciado como uma tradição da Polícia Montada, virou motivo de alegria. “Eu me sinto muito satisfeito porque todos somos voluntários para trabalhar aqui e temos a oportunidade de melhorar a vida de outra pessoa. Somos uma família”, finaliza Pereira. A gente torce para que mais pessoas possam ser ajudadas e que o Espírito do Bem continue presente no coração de muitos capixabas.

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Episódio 08

Polícia Militar aposta na música para diminuir a violência no Espírito Santo

“Onde há música, não pode haver maldade”. Entre tantas palavras, Miguel de Cervantes uniu essas e formou com muita sabedoria uma verdade. Sem distinção de gêneros musicais, tal qual o romancista espanhol, a Polícia Militar enxergou na música uma oportunidade para ensinar crianças e adolescentes a arte dos sons e, com isso, diminuir a criminalidade que muitas vezes preocupou a sociedade capixaba. Há 17 anos está de pé e muito bem afinada a Banda Júnior da PMES. A rapaziada manda muito!

Tudo começou no frio dia 16 de junho de 1999. A Banda de Música da PMES, que já possuía uma equipe de alto nível acadêmico e técnico-artístico, observou a dificuldade da população carente em ter acesso a cultura e a arte. Foi por livre iniciativa dos membros que se juntaram e criaram a Banda Mirim, mas só em 2003 que o projeto ganha o nome atual de Banda Júnior da PMES. “Nessa época tivemos a doação de equipamentos e a ajuda da iniciativa privada que abraçou o projeto”, explica o coordenador tenente Selmo Marcio Cattabriga.

As aulas do projeto acontecem durante a semana e os ensaios aos sábados. Você até pode estar imaginando que é só chegar e sair tocando um instrumento. Mas, não. É tudo muito profissional e segue um padrão de escola de música. “Os alunos chegam ao projeto e primeiro vão para as aulas de teoria musical, para só depois ter contato com os instrumentos”, diz o subtenente Marcos Pereira Cabral Ribeiro. Ele, que é regente da turma, explica que às terças e quartas-feiras as aulas são de teoria e só nas sextas e sábados que há os ensaios.

E, olha, a galerinha é descolada! Ao contrário do que você deve imaginar como uma banda militar, eles ensaiam de tudo um pouco para agradar aos mais variados gostos. “O nosso repertório é vasto e escolhemos o que os alunos gostam de tocar. Você viu que tocamos até Michael Jackson? Nos apresentamos ao som do pop rock e até do sertanejo”, comenta o subtenente. Apesar da clara abertura para os novos ritmos, os alunos seguem uma doutrina militar importante para o aprendizado coletivo.

Mas se o projeto tem como alvo as comunidades carentes, como os alunos podem praticar em casa? Muitos instrumentos desses custam bastante dinheiro. “Os alunos muitas vezes levam os instrumentos para casa, de modo que eles possam ter o contato diário. Isso é muito importante para o desenvolvimento de cada um deles”, acrescenta o músico e sargento Wando Cabral Ribeiro. Ele analisa que o problema da violência é um fator que deve ser combatido pela sociedade em parceria com a Polícia Militar.

E se os alunos ganham aulas, a Instituição tem um retorno excelente. “A PM tem como objetivo a prevenção primária da criminalidade. A gente antecede o problema com a prática da cultura e tenta reduzir a violência usando a música como ferramenta para isso”, destaca o sargento. Ele observa que o projeto ajuda a mudar também a imagem da corporação, trazendo ela para perto da sociedade e afastando o rótulo de truculência.

A gente torce muito para que a música seja usada como instrumento de paz. Os coordenadores do projeto comentam que os alunos chegam a ficar 6 anos no projeto, aprendendo a teoria e a prática de muitos instrumentos. “A gente estima que quase 3 mil crianças já passaram por essas aulas. Quase nenhuma fica seis meses e depois sai. Eles se apegam e gostam muito de estar conosco”, afirma o tenente Cattabriga.

Episódio 07

Crianças e adolescentes na luta pela cidadania

A violência mora perto de crianças e adolescentes de incontáveis periferias por aí. No Bairro da Penha, em Vitória, não é diferente. Tráfico de drogas é apenas um dos problemas.  Pois é nesse cenário que heróis improváveis da vida real surgem para dar uma força a essa garotada. A luta pela vida toma outros rumos em um tatame com professores de artes marciais e também policiais militares voluntários que ensinam respeito e técnica para jovens da comunidade.

O “Lutando pela vida” é um projeto do professor de kickboxing Stallone Maycon em parceria com a psicóloga e soldado da Polícia Militar Sinara Boldrini. O projeto conta com 130 alunos e aulas todos os dias em dois turnos, pela manhã e pela tarde. São seis modalidades esportivas que os professores ensinam para as crianças do Bairro da Penha: muay thai, kickboxing, jiu jitsu, judô, kung fu e taekwondo. E, olha, tudo isso é voluntário.

Há um esforço coletivo para que o projeto caminhe e o professor comemora a quantidade de inscritos. “Nós fizemos um aulão e já tivemos quase 800 alunos nesse dia. São quase 600 alunos com o termo assinado pelos pais e habilitados para praticar as artes marciais”, diz Stallone. Ele afirma que desde o começo do projeto quis fazer desafios e implementar regras que trouxessem benefícios para a comunidade. “O aluno tem que estar matriculado e com boa média para participar das atividades. Além, claro, da autorização dos pais”.

Colocar o projeto em prática no Bairro da Penha é tratado como uma vitória pessoal pela soldado Boldrini. “Quando eu entrei no projeto os meninos não gostavam de policial. Eles crescem tendo o traficante como modelo a ser seguido. Percebo agora uma mudança: alguns já me procuram querendo ser da Polícia e pedem até material de estudos, como apostilas”, declara Sinara.

A metodologia para a implementação na comunidade seguiu teor científico, uma vez que a soldado Boldrini é psicóloga. “Fui buscar em artigos científicos a relação entre os jovens, a luta como esporte e o comportamento. Todo mundo sabe que as artes marciais têm um ensinamento e uma filosofia de vida”, completa. Ela avalia que o esporte ensina respeito e não apenas a bater, sendo a maior das conquistas a criação de novas referências para esses jovens. “Não é porque você é filho de traficante que você será traficante. Tentamos mostrar para eles que o policial é alguém legal”, conclui.

Como professor de kickboxing, Stallone comemora os resultados das iniciativas voluntárias que ele mantém também em outros bairros. “No primeiro campeonato com esses meninos, levamos oito atletas e conquistamos oito medalhas. Um deles foi até para o campeonato panamericano, com vaga para o mundial”, conta orgulhoso. Apesar das vitórias esportivas, ele reforça que o grande objetivo é transformar os pequenos atletas em pessoas e cidadãos melhores para o mundo. “A arte marcial é isso”, afirma.

Prosperando graças à dedicação de quem tem o espírito do bem, o “Lutando pela vida” aceita sempre doações que melhorem as condições de treino das crianças. “Terminamos o local com nossas próprias mãos. Alguns itens, como o tatame, foram doados”, comenta a soldado. O professor faz questão de lembrar que luvas e outros materiais para a prática dos esportes são sempre bem-vindos. “As pessoas podiam sempre tirar um ‘tempinho’ e ensinar alguém. É essa a principal forma de mudar o mundo”, finaliza a soldado Boldrini.

Episódio 6

Amizade, conhecimento e surfe na veia: o projeto que faz a cabeça da criançada de Jacaraípe

Sorriso no rosto e uma prancha sob os braços: essa era realidade de muitos meninos e meninas que aguardavam ansiosos para entrar no mar da praia de Jacaraípe, na Serra, na ensolarada manhã em que fomos conhecer o projeto “Na Onda do Futuro”, da Associação Lar Semente do Amor (Alsa). O destino, porém, tinha tudo para traçar planos bastante diferentes para os pequenos surfistas. Sorte dessa molecada que apareceu o Juliano Moulin no pico.

Lá em 2005, o Juliano era um brother recém-formado em Educação Física, apaixonado pelo surfe, que sonhava trabalhar com crianças e adolescentes para ensinar a técnica do surfe e todo o respeito com as pessoas e com o meio ambiente que o esporte prega. Ele chegou a montar uma escolinha de surfe que ia muito bem, mas foi cinco anos mais tarde que o sonho virou realidade. O “Na Onda do Futuro” surgiu em 2010 e desde então mantém voluntariamente 100 crianças praticando surfe em dois turnos.

Mas o projeto não trata apenas do esporte. Afinal, quem conseguiria praticar surfe sem cuidar do mar? “Aqui nós trabalhamos as habilidades motoras e fazemos essas crianças se desenvolverem como pessoa e atleta. Tudo isso sem deixar de lado a educação, a cultura e também a preocupação ambiental”, destaca Moulin. A parceria com a Associação acontece justamente nesse sentido: além do surfe, diariamente as crianças aprendem artesanato, praticam capoeira e têm até aulas de reforço na matemática.

E, olha, as crianças sorriem o tempo inteiro, mas estão longe de encarar como apenas uma brincadeira. A competição é acirrada nos campeonatos internos do projeto e eles disputam até etapas estaduais. “Entrei no projeto com 10 anos sem saber nada de surfe e, hoje aos 12 anos, participo do campeonato estadual”, diz o pequeno Ítalo Nielsen. “É bom para a saúde e porque a gente se diverte. Confesso que foi um pouco fácil aprender a surfar”, orgulha-se o estudante Rafael Loureiro.

Lembra que a gente falou do artesanato? Ele é a paixão da estudante Emanuelle Fonseca e da professora de artes Maria Aparecida Gonçalves. “Eu estaria em casa e assistindo à televisão. Aqui eu posso aprender várias coisas que levo para a vida. Já sei decorar garrafa de vidro com lã e tinta de tecido, e agora estamos aprendendo a fazer vasos com caixa de leite”, analisa a estudante. “Tento trabalhar materiais reutilizáveis porque danificam menos o meio ambiente”, explica a professora.

De volta ao mar, Juliano nos explica que atualmente o projeto está com a capacidade máxima esgotada. “São 100 crianças atendidas integralmente, com notas boas na escola e motivo de orgulho para os pais”, afirma. E o Juliano é exigente de verdade com as notas dessa garotada. “Se não estiverem acima da média na escola, não tem prancha e nem mar”, brinca o professor de surfe. “Eu recebo muito mais do que eu passo a eles. Estou muito feliz por fazer parte disso tudo”, conclui.

Achou maneira essa história do surfe em Jacaraípe? Você pode nos ajudar a contar outras. O Espírito do Bem é um projeto do Gazeta Online e do Jornal A Gazeta. Nós acreditamos que são pequenas atitudes que mudam o nosso mundo para melhor e vão entregar um futuro mais humano para essas crianças. Conhece alguém que merece ser personagem da nossa série? Envie mensagem para o nosso Whatsapp (27) 98135-8261 ou [email protected]

Episódio 05

Muito mais que uma refeição, "Sr. Lanchinho" traz carinho e palavras amigas para o hospital infantil em Vila Velha


 

Entre o almoço e o jantar no Hospital Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba) em Vila Velha, há quem sinta fome também de conversa e carinho. Uma iniciativa de um grupo de catequistas da igreja católica há cinco anos ajuda a amenizar esse cenário. Liderados pelo Ivan Eugênio da Silva, que já é conhecido no bairro como “Seu Lanchinho”, o Junic – Jovens Unidos em Cristo – se reúne todos os sábados para fazer companhia e dedicar a tarde para alimentar os acompanhantes dos enfermos que estão no Himaba.

Ivan conta que o grupo foi formado ainda em 2010 por uma vontade comum de levar o bem também para fora da igreja que frequentavam como catequistas. “Juntamos a turma e todo mundo aderiu de cara. No começo formamos quatro turmas, mas tudo foi muito difícil, como sempre é. Buscamos patrocínio e muitas vezes bancamos dos nossos próprios bolsos”. Mesmo com as dificuldades, “Seu Lanchinho” revela que o projeto caminhava quando a igreja percebeu a importância para a formação dos jovens que participavam. “Agora com o auxílio da igreja fica mais fácil administrar tudo. Bola pra frente”, acrescenta, entusiasmado.

As ações do projeto acontecem todo sábado a partir das 17h, justamente no intervalo entre o almoço e da janta, já que no fim de semana o comércio em volta do hospital fica fechado. “No sábado a gente pede numa padaria a quantidade de pães que vai precisar e monta em casa os lanches para depois levar ao Himaba. Chegando no local, montamos a mesa e entra uma pessoa para convidar os acompanhantes para o lanche da tarde”, explica o catequista.

Uma das pessoas beneficiadas pelo projeto é a Glenda Miranda Rocha, que há quatro anos acompanha o pequeno filho em tratamento no hospital. “Meu filho nasceu com hidrocefalia e teve que fazer 2 cirurgias complicadas, sendo uma na coluna e outra na cabeça. Ele não tem previsão de alta”, conta. O que vocês podem não acreditar é que, apesar do drama, ela nos recebeu com um sorriso no rosto. Os voluntários contam que Glenda é uma espécie de porta-voz, sempre ajudando a chamar as pessoas para o lanche e a montar a mesa.

E você está enganado se acha que apenas os acompanhantes são beneficiados. Uma das voluntárias do Junic afirma que toda visita é um novo aprendizado. “As pessoas marcam muito a gente. Temos muito contato e passamos a fazer parte da vida dessas pessoas. Aprendemos muito escutando os relatos de vida deles”, comenta Liviane Cruz da Silva. A irmã gêmea dela, Liviene Cruz da Silva, que também é voluntária, percebe que muitos que estão ali só querem uma prosa rápida. “Na maioria das vezes, eles só querem conversar com alguém diferente para mudar a rotina de dentro do hospital”, avalia.

Essa é a mesma conclusão que chegou Ivan. “O ser humano está muito carente. Trazer os jovens para ajudar foi uma forma de fazer eles enxergar o mundo de outra maneira; ver que tem gente necessitada de uma palavra de conforto, de uma alegria e de uma brincadeira. Todo sábado tem algo que nos marca”, revela.

Você também conhece histórias de pessoas que têm o Espírito do Bem? O projeto de A Gazeta e Gazeta Online quer mostrar a história dessas pessoas porque acreditamos que são as pequenas atitudes que vão tornar o mundo um lugar melhor. Você pode nos ajudar! É só enviar a sua história para o email [email protected] ou para o nosso Whatsapp no (27) 98135-8261.

Episódio 04:
No país do futebol, é um esporte jogado com as mãos que muda uma comunidade e o futuro da criançada

A história de hoje vai falar de dedicação e solidariedade, que levaram a Cida a entregar uma vida inteira ao esporte. A nossa Cida – e de muitos meninos e meninas de Cariacica e Vila Velha – era uma promissora atleta quando ainda bem cedo, aos 14 anos, decidiu que já era hora de ensinar os pequenos amigos a jogarem handebol. 31 anos depois, aos 45, ela carrega o sorriso no rosto de quem tem a certeza que mudou muitas vidas e ajudou a formar homens e mulheres melhores, graças ao handebol.

O Real União é um projeto social-esportivo que sobreviveu pela dedicação e força de vontade da coordenadora Cida Moraes. Ela conta que no começo era uma iniciativa coletiva, mas todas as colegas abandonaram para seguir com a vida. Foi o amor pelo handebol e pelas crianças que sustentou o projeto, que enfrenta dificuldades estruturais para se manter. “O mundo de hoje está muito difícil e a gente não tem apoio de ninguém. Se eu parasse de treinar, não ia mudar nada. O mundo ia ficar mais difícil ainda”, analisa.

O time manda seus jogos e treinos em uma quadra da praça do bairro Jardim América, e chega a receber 50 alunos em apenas um único dia. “A gente só não funciona aos sábados e domingos, mas durante a semana são todos os dias. A sexta-feira é sempre o dia mais movimentado”, conta Cida.

E olha, o treino dessa molecada é pesado. A técnica da equipe revela que muitos deles têm a inspiração na capixaba Alexandra Nascimento, que saiu das quadras do Espírito Santo para ser eleita a melhor jogadora de handebol do mundo. “A minha tese é que eles gostam de praticar o esporte. Percebo isso. Eles tem paixão pelo handebol e a Alexandra é como um ídolo. Aqui no esporte do Estado ela é tudo”.

Uma das alunas mais velhas do projeto é a Angela Cristina Costa, mãe de três filhos, que não abandona o handebol e a família Real União. “Nos nossos grupos na internet a gente opina, conversa e até chama atenção se uma pessoa começa a xingar. Não pode! No esporte, aprendi a ter determinação, foco e concentração. A gente percebe que pode e vai para a frente”, comenta feliz.

Cida lembra com o sorriso no rosto que por meio do projeto conseguiu levar crianças para jogar handebol no Paraguai, na França e também em Portugal. “Não adianta saber uma coisa e guardar só para mim. Hoje estou viva, e se posso ajudar uma criança a conseguir uma bolsa na faculdade ou no colégio, isso vale mais que dinheiro”, diz com o puro Espírito do Bem.

Você conhece outras pessoas que se dedicam para ajudar o próximo? Conta para a gente no Whatsapp (27) 98135-8261 ou no email [email protected] O Gazeta Online e o jornal A Gazeta estão na missão de contar belas histórias. Acreditamos que são as pequenas atitudes que vão mudar o mundo e dar para as próximas gerações um lugar melhor para viver.

Episódio 3:
Carinho e tratamento de beleza para cuidar da alma e da autoestima


“Assim como os picos cobertos de neve são bonitos, os cabelos brancos da velhice também têm sua beleza. Não apenas beleza, mas sabedoria também, de que nenhum jovem pode se vangloriar”. A frase pertence a um líder indiano chamado Osho, mas a consideramos perfeita para falar de um belo projeto que há um ano acontece em Vitória: as Tesourinhas do Bem.

Eles são as estrelas da reportagem desta semana da série Espírito do Bem, um projeto do jornal A GAZETA e do portal Gazeta Online que pretende valorizar atitudes voluntárias.

Agora é hora de pegar tesouras, secadores, esmaltes e transformar fios brancos em sorrisos! O projeto Tesourinhas do Bem surgiu em março de 2015 pelas mãos da representante comercial Solange Kuster Bregensk, 40.

“Foi durante o período de Quaresma, quando visitamos o Asilo dos Idosos de Vitória e muitos nos pediram para cuidar dos cabelos deles. A partir disso, fiz uma convocação e três profissionais cabeleireiros e manicures se interessaram em ajudar”, conta com orgulho.

Assistindo à luta e ao bem proporcionado pela ação do projeto Tesourinhas do Bem, empresários se juntaram em parceria, cedendo um lavatório e material para as colorações.

“É uma luta diária para ajudar. São mais de 90 velhinhos que precisam dos nossos cuidados”, comenta Solange.

Ela lembra que o projeto está aberto para receber a ajuda de novos profissionais, inclusive se a pessoa só puder oferecer a mão de obra ou o tempo para conversar com eles.

Vaidade

E os nossos vovôs e vovós são vaidosos. Quem não quer ficar mais bonito, não é? “Os idosos que estão aqui são muito bem cuidados por todos. Eles são alegres e juntos damos muitas risadas! Trazemos manicures que vêm participar voluntariamente para fazer a unha das vovós. Elas adoram estar bem cuidadas!”, diz Solange.

E eles não ficam atrás na vaidade. “Os vovôs também pedem para que a gente faça a barba deles”, comenta Solange.

Gratidão

De fala mansa e com a experiência dos anos já vividos, João Angelo Batista, presidente do Asilo de Vitória, destaca que os acolhidos ali se sentem realmente privilegiados com o tratamento. “Nós ficamos gratificados quando contamos com o trabalho desses grupos. Fazer o bem faz bem”, diz.

Faz mesmo, seu João Angelo! “A gente se diverte muito em cada visita. As pessoas pensam que esse é um lugar de tristeza, mas é o contrário: é um lugar de muita alegria. Um abraço e um sorriso conquistam essas pessoas, e acaba que a gente sai daqui extasiado de amor e carinho”, revela a fundadora do Tesourinhas do Bem.

A gente torce que mais e mais pessoas se juntem ao Tesourinhas do Bem para que nossos vovós e vovôs estejam sempre lindos e com os fios brancos irradiando a beleza da idade.

Episódio 2

O pão que forra o estômago e a conversa que alimenta a alma: conheça os amigos de quem mora na rua

O pão nosso de cada dia nem sempre está colocado à mesa para os moradores de rua do Centro de Vitória. Acostumados ao vento frio e à ignorância gelada da rotina, noite após noite o sorriso se esconde e a fome aperta. Mas é no sétimo nascer do Sol de cada semana que a esperança se renova e a alegria transborda: jovens que carregam nas costas o projeto Mesa na Rua trazem todos os sábados alimentos e palavras amigas para os que têm fome de carinho e atenção nas ruas da capital.

Vários grupos desenvolvem atividades semelhantes na Grande Vitória. É legal contar que, no caso do Mesa na Rua,  o grupo formado por estudantes não tem nenhuma obrigação de fazer o que faz. É tudo voluntário. “Fiquei sete meses estudando no Rio de Janeiro, quando conheci um projeto de doação de comida nas praças da cidade. No final de 2014, voltei para Vitória, juntei o Giuseppe e dois amigos para pensarmos em alguma ação com os moradores de rua”, conta o estudante Matheus Magno dos Santos.

E o que seria do mundo sem as boas pessoas, não é mesmo? É justamente sobre elas que essa série de reportagens fala. O Gazeta Online e o jornal A Gazeta acreditam que pequenas atitudes podem e vão mudar o mundo! O desafio é enorme e você pode colaborar enviando outras histórias. Vai dizer que você não conhece alguém que te enche de orgulho? Conta pra gente!

Mas hoje vamos voltar ao Matheus, ao Giuseppe, à Ana, à Júlia, à Nicole e à Gisele. Eles são apenas alguns dos agentes do Mesa na Rua. “O pão é o meio que usamos para nos aproximar deles, é uma condição mínima que oferecemos para que eles tenham energia para conversar”, comenta Giuseppe Simões. O grupo distribui o básico para um lanche: pão de forma e presunto acompanhado de um suco feito em casa.

“As pessoas recolhem, mas não acolhem. Sempre tentamos bater um papo e não só doar o pão e o suco. A gente tenta criar um vínculo com eles”, explica Nicole Saches Matos. Eles comentam que é nesses atendimentos que o grupo descobre as necessidades das pessoas em situação de rua. “Eles não conseguem guardar as coisas que ganham. Frequentemente são vítimas de furtos ou acabam perdendo os documentos. Sempre que possível tentamos ajudar nessas questões também”, conta Matheus.

“É um cumprimento, uma mão ou um sorriso que você dá e já faz a diferença para quem só recebe ‘não'”, analisa Ana Paula Saches Matos.

E se nessa altura do texto você está pensando que eles não ganham nada em troca, enganou-se. O grupo garante que não apenas os sorrisos pagam pelo esforço, como a cidade retribui. “Participar do Mesa acaba sendo sempre mais do que doar alimentos, pois sempre vemos muito amor em coisas tão simples”, diz a legenda de uma foto na rede social do projeto que mostra um coração amarrado em uma árvore no Centro de Vitória.

A gente torce e conta com você para que essa bonita história possa continuar. O Mesa na Rua aceita doações regulares todas as semanas para atender a população na caminhada entre o Centro de Vitória e a Vila Rubim. “Quando tem doação, a gente aceita de bom grado. É sempre muito legal, mas a gente não pode parar o projeto por isso”, acrescenta Matheus. Apenas o doce sorriso no rosto de quem tem fome se iguala ao sabor de um pão de sal compartilhado, garantem os estudantes. Esse é mais um Espírito do Bem!

Episódio 1

As crianças de uma escola do interior não esperavam a visita daquela vovó de 83 anos. E ela trazia uma bela surpresa!

Naquela manhã fria, as crianças da escola municipal de Alto Caxixe, em Venda Nova do Imigrante, Região Serrana, não esperavam a visita de uma vovozinha simpática e moleca como Nair Brambila. Do alto de seus 83 anos, ela saiu de casa, cerca de 17 quilômetros distante, para levar uma surpresa que encantou a todos. “As coisas feitas com amor valem mais”, diz Nair, com a sabedoria dos mais vividos.

Mas essa surpresa a gente explica um pouquinho depois. É bom contar que Nair é a primeira personagem da série Espírito do Bem, produzida pelo Gazeta Online com o jornal A GAZETA, para mostrar histórias de pequenas atitudes que são capazes de fazer toda a diferença na vida das pessoas. Um desafio e tanto, que você também poderá ajudar a contar.

Voltemos à dona Nair, aposentada, com muitos anos vividos aos pés de um dos principais cartões-postais do Espírito Santo: a Pedra Azul. Sua grande paixão é a costura, atividade que exerce todo dia, “desde cedo até quando fica escuro”, como ela própria diz, inclusive para complementar a renda. Só que a costura ganhou uma outra paixão como companhia: o voluntariado.

Pois foi aí que Nair e sua fiel companheira, a máquina tocada por pedal, passaram a costurar roupas das mais variadas para quem precisasse. “Grupos, quadrilhas, roupas de frio, colchas, crianças, adultos… faço por amor, gosto de ajudar.”

Então Nair recebeu uma importante missão. Tinha criança precisando da ajuda dela. Quem alertou foi a professora Sandra Canal, lá da escola do Caxixe. A turminha recebeu uma bela doação de brinquedos, mas as bonecas estavam todas sem roupas. E o inverno chegando! “Eu topo”, disse ela sem pestanejar.

A partir daí, você deve imaginar o que ocorreu. Nair arregaçou as mangas, pediu alguns dias para trabalhar e, de repente, lá estava ela: a simpática costureira cheia de roupinhas de boneca nas mãos, pronta para alegrar as crianças simples da escola.

Olha, deu muito certo. “A ideia do projeto era usar os brinquedos para estimular as brincadeiras mais tradicionais nesse tempo de criança com celular pra todo lado”, conta a professora Marilsa Aparecida das Neves. “Aí brinquei que não poderíamos dar as bonecas sem roupa para as meninas, e a Sandra lembrou que dona Nair estava sempre pronta para ajudar. No fim, as crianças amaram a surpresa e não ganharam apenas as roupas: ganharam uma amiga, que é a Nair”, comemora Marilsa.

Só que a história não acaba aqui. “As crianças são espertas, já me encomendaram mais roupinhas. Elas adoram brincar de trocar as roupas das bonecas. Claro que vou fazer mais. Adorei me juntar a essas criancinhas. A gente se sente mais nova também, né?”, brinca Nair.

Nós torcemos para que essa amizade dure muito tempo. Esse é o Espírito do Bem!

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